DIA 8
Hoje, é sobre o amor… e a distância.
Ontem, depois que postei alguns vídeos do meu período na Europa, me questionei novamente o que foi esse tempo. Hoje, acordei envolvida no amor — então pensei em contar um pouco sobre como foi estar longe dele.
Quando o primeiro pensamento de sair do país pairou pela minha cabeça, fiquei animada com a ideia de estar em um lugar novo. Com o passar dos dias, a realidade foi tomando forma e percebi uma coisa: eu iria, mas o amor permaneceria aqui. Eu já estava com ele antes de embarcar, mas me questionava se ele continuaria aqui quando eu desembarcasse. Com o entusiasmo e o medo na bagagem, fui sem uma data de volta. Quando me despedi e entrei no avião, deixei meu coração com ele. E eu não estava indo simplesmente para outro país… estava atravessando o oceano sem saber quando o veria de novo — e isso foi, digamos, perturbador.
Mas, vendo hoje, percebo que lidamos de forma saudável com a situação, pelo menos com o que coube no momento.
Não sinto que, em momento algum, estive longe dele. Pelo contrário, me sentia apoiada com o pensamento de que tinha alguém me esperando — alguém que, de braços abertos, apoiava meu momento de desenvolvimento, mesmo de longe. Isso me trouxe um alicerce que eu não esperava para lidar com as novidades e dificuldades. Tudo, a todo momento, era compartilhado de um jeito que ele também não se sentisse distante.
Depois de um mês e meio, comecei a perceber que já não estava tão saudável mental e emocionalmente… por questões pessoais. Passar por momentos sensíveis, abrir feridas passadas e estar muito longe de casa é a receita perfeita para uma jovem de 20 anos pirar.
Mas, em meio a tudo isso, o mundo do outro lado do oceano era fascinante. Mesmo que o dia a dia trouxesse certa normalidade, cada nova esquina ainda revelava um universo diferente — e na Europa, tudo é muito bonito visualmente. Eu estava no litoral, e o azul do mar era surpreendentemente azul todos os dias!
Quando compartilho minha vontade de voltar, por todas essas questões, vejo o descontentamento da minha família com a decisão — e isso me fez entrar em um mini colapso. Pensava: “mas eu não vim com intenção de não voltar”. E depois de sentir nas minhas entranhas a distância, não queria permanecer ali. Sabia que, se não voltasse para meu lugar seguro, me encontraria em colapsos ainda maiores. Quebrando toda expectativa não dita, volto — e sou recebida pelo amor que deixei.
Hoje vejo que sentir a distância foi importante para o meu crescimento. De alguma forma, a vida me queria ali. Mas, por outro lado, sempre me mostrava que aquele não era o meu lugar — não era o momento de algo tão radical. Sou do time que prioriza a saúde mental antes de qualquer oportunidade. Já tive meus episódios de negligência e nenhum deles teve um final feliz. Sentia que esse não seria diferente.
Vejo hoje o quão importante foi confiar nos meus sentimentos e emoções, como foi saudável não nadar contra a maré enquanto muitos diziam para forçar o meu próprio fluxo. Mas entre todas as falas e trocas de opinião, somente algumas pessoas me abraçaram e me entenderam naquele momento. Reforçavam o que era importante e, ao mesmo tempo, quem eu era e o que prezava.
Estar longe me mostrou que nem sempre, saindo, saímos — e que nem sempre estar em outro lugar é a melhor opção. Aquele sentimento que muitos têm de que só virando a vida de cabeça para baixo ela vai melhorar? Não era isso que a vida queria de mim. E na minha vida, nem tinha tanta coisa assim a melhorar — só se eu ganhasse na loteria ou encontrasse com a Beyoncé por acaso. Mas não era o caso.
O argumento de muitas pessoas foi o “é uma oportunidade incrível”, como se fosse única. Mas eu sabia que não era. Sabia que existia mais além do que se via ali, e posso dizer que, com o amor que eu tenho, tenho oportunidades mais saudáveis e seguras — que me levam aonde devo ir, e não aonde gostariam que eu estivesse. Oportunidades que estão alinhadas com minhas vertentes de conforto, e que me dão o espaço que preciso para ser eu mesma.
Se basearmos a vida nos sentimentos, provavelmente teremos uma luz mais constante nas nossas escolhas — e por isso a minha volta. Sinto que meu lugar vai ser sempre onde eu posso ser e sentir, de forma completa, quem eu sou — sem preocupações se vou ser compreendida ou não.
Ouvi muitas vezes que o importante é sair da zona de conforto… mas, para minha personalidade e alma, não sei se essa é a fórmula secreta. Ter experiências, ver, ouvir, viver outras coisas é importante — desde que o amor esteja aqui para me receber de novo e me abraçar quando a mudança chegar e me fizer uma nova pessoa.
Estando na casa dos 20 anos, vejo que não posso estar nem ser a expectativa de outra pessoa. E que, para eu chegar aonde realmente quero, não posso ser outra pessoa além de mim mesma. Seria de muito mau caráter deixar minha vontade para viver a de outra pessoa.
Busco por esse sentimento de estar em companhia e harmonia com o amor desde que encontrei ele pela primeira vez: comigo mesma. Hoje tenho a sorte de compartilhá-lo com outra pessoa — que me acolhe da forma que sempre quis ser acolhida. E sou feliz por poder ser completamente a Lívia, na companhia dessa pessoa.