DIA 7

Dia 08.08.2024

Relembrando e encerrando.

Estou no momento em que preciso me despedir, me reconhecer e discernir o caminho que já trilhei e os novos passos que vou dar.

A novidade é que estou indo rumo a algo que nunca havia considerado firmemente — sempre foi uma ideia, mas nunca uma realidade diante de tudo o que vivia.

Posso sim dizer que sinto medo, e que algumas coisas ainda me embrulham o estômago só de pensar: o amor, a distância, os questionamentos do porquê agora, e por que dessa forma.

Falando assim, parece algo negativo, mesmo sabendo — e tendo total ciência — de que tudo vem da forma que deve ser.

Estou indo para outro país, com passagem apenas de ida, com uma casa para me receber e sem nada me segurando, além do amor.

Dia 21.09.2024

Há alguns dias venho percebendo que muita coisa do passado — que descobri sobre mim mesma nos meus momentos de autorreflexão — ainda se aplica.

[…]

Reconheço que tenho uma rede de apoio que está aberta a me ouvir, mas sei que essa questão é abstrata para eles justamente por ser algo do meu interno.

E, de certa forma, me sinto confortável com isso — por eles não saberem inteiramente o que é isso que eu sinto. Por não saberem o formato da minha “fraqueza”.

Dia 23.03.2025

Ontem entrei em conflito comigo mesma, e, lendo essa frase sobre minha rede de apoio, vi que já conheço algumas respostas que ainda procuro.

Talvez a situação seja diferente, mas a resposta permanece a mesma.

Ontem, eu não me sentia confortável com o fato de eles não saberem o formato da minha fraqueza — justamente por eu não querer lidar sozinha com o sentimento que estava sentindo.

Ser compreendida por completo é uma necessidade que sinto muitas vezes. Talvez por isso, também, tantas palavras.

O amor continua aqui. A distância já não é mais tanto um problema.

Mas os questionamentos do porquê agora e por que dessa forma… continuam aparecendo em vários momentos da minha vida.

Em algumas fases, percebo que estou novamente nesse lugar de ter que me despedir. E acho que estou em uma dessas fases outra vez.

Uma série de acontecimentos me mostra que, entre ir e ficar, eu preciso ir. Dessa vez, não estou indo para outro país — mas sigo em frente na minha caminhada. E não é uma caminhada rumo a um objetivo específico, mas a da própria vida. Da necessidade de ir.

Talvez seja a sensação de estar perto do aniversário e sentir esse instinto de que algo precisa acontecer. E eu espero que aconteça. Ficar parada por muito tempo não funciona pra mim.

Hoje, eu já sei quais passos dei depois do que escrevi, mas minha cabeça dói com o mesmo pensamento: existem novos passos a se dar.

Hoje, ao certo, eu nem sei pra onde ir — e nem as palavras estão fazendo tanto sentido assim.

Ainda assim, vejo que muita coisa do passado permanece. Ainda me sinto da mesma forma quando percebo que coisas estão mudando. Ainda sinto medo por não saber o que vai acontecer.

Percebo que continuo sendo só uma menina. E que ainda busco minha rede de apoio quando estou sensível.

Às vezes, sinto que estou sozinha. Que estou nadando em mares desconhecidos. Volto a ter 16 anos e não reconheço a pessoa que vejo no espelho.

Mas mesmo esses sentimentos, ainda se aplicam ao que sei sobre mim. 

Esses mares… eu conheço.

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