dia 4
Sobre o que escrever?
Hoje, não sei sobre o que escrever, ao mesmo tempo, sinto que quero. Mas já não sei se é pelo costume ou pela vontade de tirar algo de mim que ainda não conheço. No livro que estou lendo, logo na oitava página, o autor escreve: “Talvez eu seja um tipo de sujeito excessivamente meticuloso, mas não consigo captar qualquer coisa grande a respeito do que quer que seja sem deitar meus pensamentos por escrito”. E em outro momento da minha vida, li: “Escrevo porque tem de ser escrito”.
Normalmente, quando não sei sobre o que escrever, só dou um “boa noite” no meu diário e descrevo como foi meu dia com poucas palavras. Algumas vezes, a escrita flui depois disso e vejo o que estava me segurando. Outras vezes, a escrita para por ali mesmo…
Hoje, meu dia começou às 5 da manhã. Acordei com cólica e, por alguma razão, eu já sabia que seria assim este mês. Estava tudo normal demais. Ontem, antes de dormir, não fiz yoga como costumo fazer todos os dias, mas deixei o tapete estendido ao lado da cama com uma coberta dobrada. Minha prática de yoga muda bastante conforme os dias do meu ciclo vão passando. Eu divido meu ciclo em duas partes, dentro delas, duas semanas cada, totalizando os 29 dias.
Na segunda e na terceira semana do meu ciclo, meu corpo está mais forte e “normal”. Meu mental também fica bem mais claro e proativo para ideias e planejamentos. Normalmente, são as duas semanas em que não pulo um treino e consigo manter a yoga de forma consistente. Costumo fazer uma aula de manhã e outra à noite para finalizar o dia. Foi uma forma que encontrei de me manter centrada. Nesses dias, as aulas de yoga costumam ser mais longas e exigir mais da minha força e resistência em determinadas posturas.
Já na quarta semana do ciclo (TPM) e na primeira, eu sou mais sensível. Começo a ficar mais em silêncio e agir de forma mais cuidadosa comigo mesma. Procuro fazer meus treinos de musculação trabalhando com resistência e não com força, e costumo me dar um ou dois dias de folga na semana. Mas a yoga, eu procuro continuar. Mudo as aulas e sigo praticando. Existem vários tipos de yoga e, para esse momento do ciclo, prefiro as restaurativas. As mais curtas duram em torno de 20 minutos, e as mais longas, perto de uma hora. Essas aulas têm poucas mudanças de postura, mas o tempo em que cada uma é mantida é suficiente para o corpo entender que algo está acontecendo.
Desde que fiquei doente em 2023, busco prestar mais atenção no meu corpo e nos sinais que ele dá. Tive o começo de uma anemia e tenho uma inclinação natural a não ter grandes estoques de ferro no corpo, então qualquer descuido na alimentação me faz sentir fisicamente fraca. Mas isso, aqui em casa, não é um problema. Meu feijão com couve ou qualquer outro alimento verde-escuro segura as rédeas.
Com toda essa cólica, decido sair da cama e deitar no tapete de yoga em uma postura restaurativa, com a intenção de dormir ali. (Parece loucura, mas só quem já dormiu em um tapete de yoga sabe do que estou falando.) Deito e logo vejo que não vai dar muito certo. Como solução imediata, um banho quente parece a escolha mais sábia. Fico ali, deixando meu corpo receber o calor da água e esperando que a dor vá com ela.
Volto para a cama e trago todos os travesseiros para perto, para não ter a sensação de que estou sozinha. Pouco tempo depois, durmo e acordo algumas vezes, apenas para mudar de lado e me aconchegar de novo.
Acordei bem mais tarde do que o normal e, curiosamente, não tive nenhum pensamento de cobrança em relação às minhas atividades do dia. Coloco uma roupa confortável e faço uma trança no cabelo de forma que aguente o dia todo. Quando saio do meu quarto, vejo que o dia está bonito e com um clima um pouco mais fresco do que o normal. Fico feliz por ter o apoio do sol hoje.
Fiz tudo o que precisava ser feito e começo a pensar sobre o que iria escrever. Olho em volta, volto a prestar atenção no dia e nada. Talvez seja mesmo um dia mais lento.