DIA 18
Hoje está sendo aquele tipo de dia em que nada presta. Pensar demais atrapalha, se arrumar só bagunça, planejar muito traz frustração. Então, pode-se dizer que estou neutra. E, sempre que percebo alguma elevação, volto pra esse estado.
Tenho sentido muita dor de cabeça nos últimos dias e minhas noites de sono têm sido uma desavença. Quando meu corpo está cansado, minha mente está agitada; e quando minha mente pede descanso, meu corpo não consegue ficar quieto. Então hoje, cansada dessa desavença interna, não vou me prestar a nada.
Acho que tenho me doado demais. Principalmente para coisas que nem dependem da minha doação pra terem solução — algumas nem têm solução, e talvez nem sejam problemas. Mas, quando se juntam uma série de coisas, elas acabam parecendo um.
Meu papo tem sido sempre o mesmo: quem eu quero ser?
Quase todos os dias em que escrevo aqui, essa frase aparece, ou então “não me reconheço no espelho”. Inclusive, enquanto escrevia o texto de ontem, me peguei pensando: “de novo, Lívia?”
Mas tudo bem. Esses 21 dias escrevendo não têm um objetivo maior do que a própria escrita. E como estou fazendo disso um roteiro, a intenção é realmente escrever o que estou sentindo no momento, ou a ideia que tive no dia.
Enfim.
Percebendo que tenho me doado demais, pensei em tirar um dia só pra ter essa percepção. Ficar numa frequência mais estável e buscar cuidado. Encher o meu próprio copo.
Daqui a alguns dias, eu faço 21 anos — e quero estar sentindo e entendendo o que quero pra minha vida nesse novo ciclo.
O assunto “aniversário” é uma questão. Acho que vou falar sobre isso.
Faz alguns anos que não dou muita importância à data. Costumava pensar que era só mais um dia…
Mas, sinceramente, acho que não é isso o que eu realmente acho. Talvez tenha sido o momento da minha vida, as situações da época. Minha percepção tem mudado bastante.
Por perto, não tenho muitas pessoas que comemoram aniversários de forma festiva, então pode ter sido uma espécie de vírus. E, por ser mais introspectiva, talvez venha também dessa vontade de não chamar muita atenção.
Depois da adolescência, o aniversário virou uma espécie de ano novo.
Perto da data, revejo tudo o que fiz no último ano (dá pra entender por que tenho falado tanto do passado nesses dias escrevendo) e também penso no que quero pro próximo ano.
Levo mesmo como se fosse ano novo.
Exatamente um ano atrás, eu escrevi as seguintes palavras no meu diário:
03.04.2024 — Quarta — 20:33
“Nunca chego tão tarde assim com as palavras.
Nos últimos dias, não tenho dormido muito bem. Não era isso o que eu queria escrever, mas caneta não se apaga.
Nos últimos dias, não tenho encontrado muitas palavras pra escrever.
Estou no meu quarto, com os pés pegados e dentes escovados. Quero deitar mais cedo, pra acordar mais cedo, pensar em mais coisas.
Estou precisando esclarecer os meus fatos.
De aniversário em aniversário, vejo quem fui e quem sou.
Digo todos os anos: ‘ano que vem eu não quero estar assim’. Eu não me conformo. Consigo me acalmar, mas não sei…
Não reconheço meu propósito sem amar.
Sem o fato do amor.
Vivo me perguntando de onde vem isso. Eu nasci assim? Quem colaborou pra essa falta, que hoje me sobra certeza: vivo pra cuidar e amar.
Daqui 3 dias, 2 horas e 47 minutos, o relógio marca 20 anos.
O que eu aprendi em 20 anos?
Não quero pensar pra daqui 20 anos — muito abrangente. Prefiro o mais tangível… algo mais realista.
Muito difícil estar no meio dessa linha, principalmente sobre o que fazer da vida.”
Um abraço pra Lívia de um ano atrás.
Lendo e reescrevendo, vi que, realmente, o mais importante é eu me abraçar.